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Algumas lojas virtuais crescem muito rápido, mas não dão lucro nenhum

<span data-sheets-userformat="[null,null,769,[null,0],null,null,null,null,null,null,null,1,0]" data-sheets-value="[null,2,"O que est\u00e1 pegando com os peixes grandes

Keslen Deléo

Keslen Deléo

<span data-sheets-userformat="[null,null,769,[null,0],null,null,null,null,null,null,null,1,0]" data-sheets-value="[null,2,"O que est\u00e1 pegando com os peixes grandes do e-commerce?"]">O que está pegando com os peixes grandes do e-commerce?

Quando procuramos os grandes-cases-de-sucesso do comércio virtual para postar por aqui e te inspirar, volta e meia encontramos exemplos de gente que começou a vender coisas pela internet e foi de zero a trocentos bilhões de dólares em um ano.

Se der uma olhada aqui pelo blog, vai ver exemplos (não tão hiperbólicos, é claro): a Bebê Store, ganhando um monte de dinheiro em investimentos; a Netshoes, que virou líder ao crescer muito e muito rápido (apesar de termos falado também dos rumores que envolvem sua compra; e, lembre-se disso, porque é um ponto importante aqui); ou a Mobly, criada por egressos de Harvard e alcançando um tamanho invejável em muito pouco tempo…

Quando o crescimento é enorme e rápido, desse jeito, costumam ser duas as saídas possíveis: a primeira, que acontece com frequência na gringa, é de as empresas pequenas começarem a fazer tanto sucesso, e crescer muito, até serem compradas pelas grandes do nicho em que estão inseridas, porque os grandões querem continuar dominando aquela parte do mercado.

De certa forma, esse é um negócio bastante comum – só que ele adquire nuances de muita treta quando as empresas são fundadas já tendo em vista o objetivo de crescer tanto a ponto de incomodarem e serem compradas por alguém. A segunda possibilidade é crescer, assumir a liderança e ganhar o mercado num fuzuê louco; e aí parar, respirar e mudar os planos de negócio para adquirir estabilidade e continuar rendendo (o que seria o plano bom e feliz).

O que parece estar acontecendo com alguns e-commerces no Brasil se encaixa mais na primeira saída: buscando crescimento a todo preço, essas empresas se destacam pelo sucesso, mas operam quase sempre no vermelho, por não darem lucro nenhum. Uma matéria da Exame que saiu essa semana fala mais desse surto empreendedor e do que se esconde por trás de tanto crescimento.

O que dá a entender é que esses empreendedores pensam na dinâmica de empresa faz sucesso/empresa maior se sente ameaçada/empresa maior paga milhões para englobar a concorrência, e isso é o que guia toda a gestão da empresa, desde o começo. E dá-lhe investimento exorbitante em marketing, dá-lhe frete grátis, parcelamento em 12 vezes etc. etc. A longo prazo, todas essas ferramentas juntas (e exageradas) não levam a um equilíbrio financeiro – e nem é isso que os caras querem mesmo.

Mas essa pode ser uma prática bem arriscada no Brasil. Ainda que o e-commerce esteja num ótimo momento – as pessoas estão comprando pela internet como nunca antes na história deste país – contar com rodadas de investimentos ou abertura de capital é bem perigoso, por causa de toda a crise (ai, a crise! ai, a carestia!). Alguém, em alguma hora, acaba tendo que pagar a conta.

E onde isso deixa você, pequeno empreendedor do varejo virtual? A princípio, no mesmo lugar. É importante saber que esse pode ser o tipo de concorrência que você vai enfrentar, mas, se o que você quer é viver da sua lojinha (com lucros, portanto), o esquema de gerenciamento dela deve ser diferente. Algumas dicas importantes: pode funcionar trabalhar com nichos bem específicos onde as grandes concorrentes não conseguem chegar; produtos exclusivos e marcas próprias, porque isso traz mais valor a você, comparado aos peixes grandes; ou apostar em e-commerce de assinaturas, que garante as vendas recorrentes.