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Por que é importante encontrar seu nicho – mesmo que você precise inventar um

<span data-sheets-userformat="[null,null,769,[null,0],null,null,null,null,null,null,null,1,0]" data-sheets-value="[null,2,"Uma li\u00e7\u00e3o de empreendedorismo a partir da

Keslen Deléo

Keslen Deléo

<span data-sheets-userformat="[null,null,769,[null,0],null,null,null,null,null,null,null,1,0]" data-sheets-value="[null,2,"Uma li\u00e7\u00e3o de empreendedorismo a partir da hist\u00f3ria dos pintores impressionistas"]">Uma lição de empreendedorismo a partir da história dos pintores impressionistas

Malcolm Gladwell, em um livro chamado *Davi e Golias, *conta várias histórias para falar de deficiências e de como ter alguma desvantagem nem sempre significa que você vai ser dar mal pra sempre. Uma das histórias mais legais que ele conta no livro é a dos pintores impressionistas franceses (que, depois, Dan Wang reconta aqui, e que vamos adaptar um pouco nesse post).

Você já deve ter ouvido falar em algum deles: Renoir, Cézanne, Monet. Provavelmente, viu os quadros dos caras em algum livro da escola ou em alguma sala de espera por aí. O movimento artístico que eles representam, o Impressionismo, surgiu lá pelo século XIX na Belle Époque.

Naquela época, ainda era tendência pintar retratos super exatos e realistas. Sobre “realistas”, há controvérsias, porque todo mundo naquelas pinturas tinha pele boa e é um pouco improvável que isso acontecesse numa época em que as pessoas mal tomavam banho toda semana. Mas essa é outra história; de qualquer maneira, esses caras, os impressionistas, surgiram no meio dessa pintura pseudo-photoshop aí, que era a mais amada pelos críticos da ~academia~.

*Impression, sunrise, *do Monet, de 1873.

Lá nos idos de 1800, uma inovação tecnológica que parece coisa pouca mudou toda a indústria da arte: surgiram os tubos de tinta (primeiro em tripas de animais, depois em tubos de estanho – ufa) e a galera começou a vender tinta pronta. Geral ficou malucão, porque agora ninguém mais precisava ficar confinado nos ateliês com um assistente (olha o estagiário aí na história) para misturar os pigmentos com óleo e fazer as tintas todas na hora (imagina quando só faltava pintar a última pétala da flor e acabava a tinta vermelha?). Daí que, com os tubos de tinta, os pintores começaram a sair e pintar ao ar livre – paisagens, pôr do sol etc. Foi essa inovação tecnológica que permitiu que o Impressionismo surgisse, e aí temos a primeira lição dos impressionistas:

  • ****quando surge qualquer inovação tecnológica, o modo como fazemos algumas coisas pode mudar – e nós podemos ser os responsáveis por pensar em usos para a tecnologia. ****

The sea-arch at Etretat, de Gustave Courbet, de 1869

Voltando à história: temos então Renoir, Monet e Pissarro dando rolê pelo interior da França e pintando várias coisas que não tinham muito a ver com a pintura convencional de então (a antecessora do photoshop).  Eles tavam curtindo muito fazer aquilo e queriam expor as pinturas no Salon – se tivessem sorte, venderiam algumas e garantiriam uns trocados pros cafés, vida boêmia e tudo o mais.

Só que a ~academia~ riu na cara deles e não deixou ninguém expor tela nenhuma. Durante anos. Os impressionistas estavam na maior pindaíba (só tinham a sorte de ter uns aos outros), mas não desistiram tão fácil. Resolveram fazer a própria exposição, no segundo andar de um prédio em Paris, para ver se rolava algum reconhecimento, porque eles acreditavam muito no que estavam fazendo.

Pois bem: a exposição foi o maior sucesso – e ninguém tava nem aí para o que a academia falava deles. O próprio título impressionismo, aliás, começou de zoeira numa crítica em que um academicista tentava diminuir os pintores – e acabou sendo o nome pelo qual eles ficaram mundialmente conhecidos, e que estampa livros de arte até hoje.

A segunda grande lição dessa história toda é: às vezes, você perde uma coisa pela qual nem deveria estar competindo – e seu lugar não é aí mesmo. Esses pintores preferiram ser melhor reconhecidos por menos pessoas, a competir com muita gente que não entendia e nem se importava com o que eles estavam fazendo. Isso é criar – ou encontrar – um nicho específico e fazer o melhor que você puder ali, e é uma dica de ouro para o seu negócio.