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O que é Big Data? Como ele vai mudar o e-commerce?

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Keslen Deléo

Keslen Deléo

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Além de outras coisas assustadoras que o Facebook sabe sobre a sua vida, agora ele consegue também prever quando o seu status de relacionamento está prestes a mudar de solteiro para ‘não solteiro’.

Baseado num catatau de dados de 2010-2013, ele reconheceu um padrão que há nos posts da timeline dos usuários, que é de aumentar de maneira regular nos 100 dias antes, e chegar a um pico nos 12 dias que antecedem a mudança de status de relacionamento, quando o namoro (ou o ‘it’s complicated’) é oficializado. As interações públicas caem depois disso (embora fiquem mais ‘fofinhas’). Há muitos exemplos de descobertas assim que colocam o Facebook como exemplo de ótimo uso e análise de dados.

E o e-commerce está à beira de uma grande mudança guiada pelo big data e pelas tecnologias inteligentes. E essa é uma mudança em direção a uma customer journey mais eficiente, personalizada, até mesmo automatizada. Ferramentas estão sendo desenvolvidas para simular o cérebro, as redes de neurônios e o modo como elas operam, e como se aprende através disso. O Netflix já está caminhando nessa direção, para personalizar as sugestões de filmes, e já se sabe que Google, Amazon, Yahoo e outras empresas grandes também estão pensando nisso.

Inspiradas no sistema nervoso central, as Redes Neurais Artificiais (em inglês, Artificial Neural Networks, ANNs) são modelos computacionais capazes de reconhecer padrões (grosso modo, máquinas que aprendem). As redes neurais do deep learning têm mais camadas de abstração do que as ANNs e podem ser treinadas para coisas realmente incríveis, como reconhecimento de imagens, processamento de linguagem, tradução e reconhecimento de fala. Mas como isso pode se aplicar ao e-commerce?

Processamento de linguagem natural

O Firefox tinha uma extensão, lá pelos idos de 2008, com processamento de linguagem natural e capacidade de analisar sentimentos. Uma aplicação útil disso era filtrar centenas de reviews da Amazon e resumi-las em alguns prós e contras. O Pluribo mostrava na página do produto uma caixa de texto que resumia todas as reviews da câmera em uma só frase, considerando o que era mais repetido nas avaliações.

Infelizmente, o Pluribo foi vítima da crise financeira de 2009 e da falta de investimentos. Mas esse conceito, sozinho ou combinado com outras tecnologias, tem muitas implicações para vendas guiadas.
Um sistema de e-commerce com inteligência artificial no estilo do Her poderia receber uma ordem do tipo: “Quero uma câmera profissional, com uma bateria que dure bastante tempo, compatível com Mac OSX”, e aí não só daria os resultados personalizados, mas também faria perguntas adicionais sobre coisas que o cliente não tinha pensado, tipo “que coisas você costuma fotografar?”, ou “quão importantes são tamanho e peso para você?”

Também não está longe o dia em que os computadores serão capazes de reconhecer sinais emocionais como animação, indecisão ou frustração através da voz e da expressão facial. Já existem projetos de consoles que interajam com as pessoas baseados no reconhecimento dessas reações. Além de conversar com o cliente, um e-commerce ‘com inteligência emocional’ teria também o papel de analisar dados de comportamento para oferecer alternativas mais relevantes e proporcionar uma compra mais adequada.

Reconhecimento de imagem

O Google já está trabalhando para dar aos computadores a habilidade de “ver”, e já construiu uma ferramenta que reconhece rostos humanos, partes do corpo, e gatos (enfim, as coisas mais comuns no Youtube e no Hangouts). A capacidade de procurar produtos a partir de imagens do Google Glass, de figuras da internet ou outras imagens oferece todo um novo jeito de procurar e descobrir produtos. Além disso, o Google Glass vai poder até registrar as coisas em que seu olhar se fixa durante mais tempo, dando à máquina informações preciosas sobre o que te interessa mais.

O Pinterest, recentemente, adquiriu uma tecnologia que torna a busca por fotos em contexto muito mais fácil. Ao invés de depender das palavras-chave e das tags, a pesquisa vai identificar imagens que se ligam a palavras e outras imagens (tipo coisas que você já pinou). Imagine as implicações disso pra uma loja virtual. Um app de busca visual num e-commerce poderia apresentar os resultados da busca de um cliente baseado nos boards que ele tem no Pinterest, e aí chegaria mais perto dos gostos e interesses desse cliente. Ou, ainda, a pessoa poderia fazer upload de uma imagem de qualquer coisa e ver quais produtos, na loja, se ligam à sua imagem. É muito mais do que só pesquisar com palavras-chave.

Compras antecipadas

O Shazam, app popular de reconhecimento de áudio, agora tem uma feature que fica sempre ligada e tem acesso ao áudio do seu celular o dia todo. Aí vê quais músicas, das que você ouviu, não estão catalogadas na sua biblioteca, descobre o nome delas e anota pra você – o que te poupa o perigo de ligar o app enquanto tá dirigindo pra descobrir o nome da música que tá tocando na rádio, por exemplo.
Imagine que com essas máquinas sabidonas, o Shazam e produtos como ele poderiam filtrar suas tags pra descobrir o que você mais te interessa, baseado na sua biblioteca. E, mais que isso, poderiam ir adiante e adicionar coisas à sua biblioteca, até mesmo fazer uma compra por você, por exemplo. Parece loucura? E a Amazon, que há poucos dias registrou o serviço de compra antecipada, que prepara a entrega de um pedido antes mesmo dele ser feito? A Amazon tem cara de quem faria esse tipo de coisa…

Apesar de por enquanto não ser nada muito sério, já dá pra imaginar o dia em que você poderá mandar uma máquina eficiente e inteligente fazer por você as compras mais simples, como supermercado e presentes (mais alguém pensou nos Jetsons?).

Mais que Big Data, o negócio é Smart Data

Enquanto se fala muito em Big Data, essa quantidade imensa de dados com os quais temos que lidar de alguma forma, há quem lembre que a questão, mais que de quantidade, é de qualidade. Esses reconhecimentos de linguagem, imagem e padrões de comportamento, junto com todas as tecnologias de personalização, devem ter como objetivo fazer um uso mais eficiente dos dados e desse conteúdo de meu-Deus que tá por aí. Ainda que toda essa tecnologia esteja em desenvolvimento, o e-commerce deve pensar nela com muito carinho e fazer o possível para utilizá-la da melhor forma (e logo).

Por Linda Bustos, em http://bit.ly/MgC3Bn