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Não é sobre você, é sobre o seu cliente

Escrever para vender o seu produto implica em tirar o foco de você. Como assim? Não importa qual a sua área, provavelmente você tem um lugar na Internet em que descreve seus produtos

Keslen Deléo

Keslen Deléo

Escrever para vender o seu produto implica em tirar o foco de você. Como assim?

Não importa qual a sua área, provavelmente você tem um lugar na Internet em que descreve seus produtos ou serviços, sejam eles de uma marca pessoal sua, do seu próprio negócio ou da empresa em que você trabalha. Seja um website, blog, newsletter ou feed do Twitter, sempre há um canto da web em que você está tentando vender alguma coisa (mesmo que seja só o seu currículo).

Em todos esses casos, uma boa redação é a chave para o sucesso. Você não consegue convencer um leitor a fazer nada (comprar seu ebook, te chamar para uma entrevista de emprego ou compartilhar um artigo que você escreveu) sem uma escrita efetiva e atraente. O escritor e designer James Greig tem algumas ideias interessantes sobre a mudança de pensamento necessária para escrever bem online. É bem simples: não é sobre você. A lente deve estar focada no seu ‘cliente’, a pessoa para quem é direcionado o seu trabalho.

Que superpoder seu produto dá às pessoas? Dê uma olhada no parágrafo inicial dessa descrição de uma nova jaqueta para ciclistas:

“Nós fomos até o fim para produzir o melhor material à prova d’água no ciclismo. Nós repensamos todos os meios de manter você confortável. Quando a chuva vem e não vai mais embora, essa é a jaqueta. Nós gastamos o maior tempo possível de pesquisa e desenvolvimento na Jaqueta Gills, e nós temos muito orgulho dela.”

Dá para contar: quatro menções a “nós”… e uma só a “você”. Isso é o equivalente, em redação, a ficar gritando “Eu! Eu! Eu!” É claro que é importante saber quanto tempo de pesquisa e desenvolvimento foi investido na jaqueta, mas o leitor está mais interessado em saber como a jaqueta o fará se sentir, não como a companhia que o fez se sente sobre tudo isso. Vejo esse tipo de problema com frequência na escrita online: é totalmente invertida. E aí, o que a gente pode fazer?

Jason Fried, do Basecamp, zerou tudo ao escrever esse post de blog com apenas três frases: “A maioria da escrita para a internet é horrível porque é escrita para quem escreveu, não para o leitor. Escreva para o leitor. E só.” Melhorar sua escrita é simples assim: construa suas frases com ênfase maior em “você” do que em “eu” ou “nós”. Faça isso ser sobre o leitor e não sobre você.

Não é só uma questão de ser altruísta (aquela coisa de “o cliente sempre tem razão”). Quando você tem o leitor em mente sempre, seja ele o visitante do seu site, o seguidor do Twitter, cliente, comprador etc., você começa a pensar mais nas razões implícitas para que as pessoas estejam engajadas com o seu trabalho do que nas razões explícitas. Aí, consegue chegar a pontos muito mais fortes para vender. Como Greig escreve,

O primeiro iPod não foi vendido como “um MP3 player de 5GB” (chato/técnico) mas como “1,000 músicas no seu bolso” (uau/muito bom).

Quando você está escrevendo um texto para levar alguém a fazer algo, tente se relacionar com os problemas e desejos das pessoas que você gostaria que estivessem lendo o que você escreve. Precisa vender um template de WordPress para blogueiros que não sabem lidar com código? Pense, e escreva, sobre quão simples é a instalação desse template e como ele vai melhorar a visualização das fotografias que eles colocam no blog e aumentar o tráfego. Precisa vender seus serviços como consultor de social media para pequenos negócios? Foque sua proposta em como você vai economizar o tempo dos seus clientes para que eles possam concentrar-se só em estratégias de negócios. Você vai ter uma vantagem instantânea sobre os competidores ‘autocentrados’ demais.

Seu trabalho merece todas as atenções online. Você só precisa colocar um pouco de escrita mágica sobre ele por lá.

Tradução desse post da Kate Bo para o 99u.